sexta-feira, 4 de dezembro de 2015

Capítulo 46 - Se esforçando para resistir

Uma semana se passou e Vinícius e Regina não se falaram mais. Ele já não aguentava mais ficar longe dela e de Gabi, então resolveu procurar a ex para tentar reatar o noivado. Era sexta-feira e Vinícius foi do trabalho direto para a casa de Regina.
Quando chegou, estava um pouco nervoso, pois não sabia se ela ainda estava brava com ele, mas mesmo assim tocou a campainha e rapidamente foi atendido.
- Vinícius, o que você está fazendo aqui? - perguntou Regina, logo que abriu a porta
- Eu vim porque acho que a gente precisa conversar. Posso entrar? - respondeu ele
- Acho que não temos nada para falar um com o outro.
- Temos sim, Regina, e você sabe. Eu não vou embora sem conversar com você.
Percebendo que Vinícius não iria desistir, Regina concordou que ele entrasse, mas não estava muito confortável com aquela situação. Por mais que estivesse com raiva por ele tê-la traído com Patrícia, ela não podia negar que ainda o amava, e tinha medo de acabar não resistindo.
- Imagino que você quer falar sobre a Gabi - disse ela, sentando-se no sofá
- Também - falou ele, juntando-se a ela - Mas primeiro quero falar sobre a gente. 
- A gente não existe mais, Vinícius.
- Não fala assim, Regina. Eu te amo e sei que você também me ama, não vamos deixar mais um mal entendido nos separar!
- Mal entendido? A Patrícia estava de sutiã e vocês estavam se abraçando! Para de mentir e assume que você tem um caso com ela!
- Eu não estou mentindo! Já falei que ela chegou lá em casa com uma conversa de que tentaram assaltá-la. E tirou a blusa porque queria que eu visse se tinha algum machucado nas costas dela.
- E o abraço?
- Ela me agarrou de repente! Você não percebe que isso foi uma armação para fazer a gente brigar?
- Não foi o que pareceu...
- Para com isso, Regina! Acho que o problema é que você não consegue confiar totalmente em mim, depois do que passou com o Marcelo. Se confiasse, acreditaria que eu estou falado a verdade...
- Não sei se devo... E mesmo que eu venha a acreditar, não quero voltar com você, Vinícius. A gente não consegue passar muito tempo sem brigar, não dá para manter um relacionamento assim.
Ouvindo isso, Vinícius percebeu que Regina precisava de um tempo e que seria melhor não forçar a barra naquele momento. Mas não desistiu de reconquistar sua amada, e decidiu fazer uma proposta para pelo menos ficar próximo dela e não perder o contato com Gabi.
- Será que nós podemos pelo menos ser amigos? Mesmo que você ainda esteja com raiva de mim, acho que devemos tentar nos dar bem pela nossa filha - propôs ele
- Tudo bem, você tem razão. A Gabi é sua filha e eu não tenho direito de te afastar dela - concordou ela - Mas você tem que prometer que não vai tentar nada comigo.
- Não vou tentar. A não ser que você queira... - disse Vinícius, chegando bem perto de Regina e olhando fixamente para sua boca.
- A-acho melhor você ir embora, já está ficando tarde... - falou ela, se afastando
- Eu vou - suspirou ele - Só quero ver a Gabi antes, dar um beijo nela. Posso?
- Claro, ela está lá no quarto, acho que ainda não dormiu.
Vinícius foi até o quarto e quando se aproximou do berço, Gabi, que estava acordada, deu uma risadinha para o pai. Ele então a pegou no colo para brincar um pouquinho e Regina sorriu, meio sem querer, observando os dois. Em seguida ele deu um beijo na filha, a colocou de volta no berço e foi embora. Estava feliz por ter convencido Regina de serem amigos e determinado a reatar o noivado com ela, mesmo que demorasse um pouco.
No dia seguinte, como era sábado, Vinícius saiu com Bento no fim da tarde para tomar uma cerveja, pois teve uma semana cansativa e precisava relaxar um pouco. Ele pretendia ir visitar Gabi à noite, mas se distraiu conversando com o amigo e ficou tarde. Como tinha bebido, acabou resolvendo ir para casa e deixar para ver a filha no dia seguinte.
Enquanto isso, Regina estava em casa se arrumando para deitar. Gabi já estava dormindo, então ela foi para a cama. Porém, de madrugada, acordou com a menina chorando, e estranhou, pois ela não costumava acordar durante a noite. Ela se levantou, acendeu a luz e quando se aproximou do berço, viu que Gabi não estava muito bem, então foi até o quarto de Dora chamá-la, pois precisava de ajuda.
- Mãe, desculpa te acordar, mas tem alguma coisa errada com a Gabi! - disse Regina, preocupada
- Imagina filha, se tem algum problema, você tem que me chamar mesmo. Vamos lá para eu ver o que é.
As duas foram para o quarto e Dora percebeu que Gabi estava com febre alta. Tentaram vários métodos, inclusive dar antitérmico a ela, mas a temperatura não abaixava de jeito nenhum.
- Regina, acho que você vai precisar levar ela para o hospital, a febre não passa - falou Dora
- Tudo bem. Chama um táxi para mim enquanto eu troco de roupa.
- Não filha, acho que você tem que ligar para o Vinícius
- Está muito tarde mãe, além disso eu e ele não estamos mais juntos - disse Regina, tentando arrumar desculpas para não ligar para Vinícius
- Ele é o pai da Gabi, se ela está doente ele precisa saber!
Regina acabou concordando com a mãe, e ligou para Vinícius. Ele prontamente disse que levaria as duas até o hospital de carro e depois as deixaria em casa.
A espera pelo atendimento do médico pareceu uma eternidade, pois os dois estavam muito ansiosos e preocupados com a filha. Vinícius, vendo que Regina estava muito nervosa, a abraçou de lado e ela acabou aceitando. Quando enfim entraram no consultório, foi um alívio, pois o médico disse que Gabi só estava gripada, receitou um remédio e garantiu que ela ficaria boa logo.
Após a consulta, os três voltaram para a casa de Regina e Vinícius fez questão de entrar para ajudar a cuidar a filha, ele não queria ir embora sem ter certeza de que ela estava melhor. Depois que a menina voltou a dormir, os dois foram para a sala.
- Vinícius, não sei como te agradecer. Você veio até aqui, me levou até o hospital com a Gabi, e ficou a gente o tempo todo. Tudo isso no meio da noite - falou Regina. Ela não queria admitir, mas ficou balançada com a atitude de Vinícius naquela noite
- Não fiz mais do que minha obrigação, a Gabi é minha filha, eu faço qualquer coisa por ela. E... Por você também.
Nesse momento Vinícius chegou mais perto de Regina, segurou sua mão e começou a rolar um clima. Os dois foram se aproximando cada vez mais e como estava cansada e mexida por causa do carinho que Vinícius teve com a filha e com ela, Regina não conseguiu fugir e eles acabaram se beijando. O beijo começou suave, mas foi ficando intenso, Vinícius puxou Regina pela cintura, colando seu corpo ao dele, e ela passou as mãos em seus cabelos, sem conseguir resistir, mas depois de alguns segundos, voltou a si.
- Para Vinícius, eu não quero isso! - pediu ela, se afastando, um pouco ofegante
- Não adianta negar, eu sei que você quer. Eu senti isso... - falou Vinícius, tentando beijar Regina de novo, mas ela se esquivou
- Você prometeu que não tentaria nada, que nós seríamos só amigos - lembrou ela
- Eu disse que não tentaria, a não ser que você quisesse. Eu não te beijei à força, ou beijei?
- Não... Mas eu não... Vai embora, Vinícius, por favor - disse Regina, vendo que se ele continuasse ali, ela acabaria não resistindo novamente
- Tá bom, mas não fica pensando que eu desisti. Seu lugar é comigo e eu ainda vou fazer você perceber isso.
Vinícius saiu pela porta e Regina voltou para a cama, estava muito cansada. Mas ela não conseguia dormir, pois não parava de pensar naquele beijo. Será que ela vai ceder, admitir que ainda ama Vinícius e aceitar reatar o noivado com ele?

Continua...

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