quarta-feira, 20 de janeiro de 2016

Capítulo 66 - O novo cliente

Fernando e Simone estavam se divertindo muito juntos, mas de repente houve um problema elétrico e o bar onde eles estavam ficou sem energia, o que obrigou o dono a expulsar os clientes. Eles pensaram em ir para outro lugar, mas viram que a rua inteira havia sido afetada.
- E agora? Vamos encerrar nossa noite por aqui? - perguntou Simone, visivelmente chateada
- Não necessariamente, meu apartamento é aqui perto - disse Fernando - Tenho algumas cervejas na geladeira, podemos ir para lá se você quiser. 
- Você não está com segundas intenções, está Fernando?
- Claro que não Simone, é um convite de amigo.
- Nesse caso, eu topo.
Os dois então seguiram para o apartamento de Fernando, onde continuaram bebendo e conversando no sofá da sala. Algum tempo depois, Simone se levantou para ir ao banheiro e quando voltou, tropeçou no pé da mesa de centro e acabou caindo em cima de Fernando, que por reflexo, colocou as mãos em sua cintura. Em seguida eles olharam um para o outro e seus rostos estavam bem próximos.
- Desculpa, acho que já bebi demais - falou Simone, meio sem graça
- Para com isso, acidentes acontecem. Você se machucou? - perguntou Fernando, preocupado
- Não, está udo bem, você amorteceu minha queda - brincou ela, e os dois riram
Nesse momento, Fernando agiu por impulso e puxou Simone para um beijo. Ela correspondeu, colocando os braços em volta do seu pescoço e o clima começou a esquentar. Simone desabotoou a camisa de Fernando, enquanto ele tirava sua blusa, acariciava seu corpo e continuava a beijá-la intensamente. E assim, já alterados pelo álcool, eles acabaram se deixando levar pelo momento, e se entregaram um para o outro, ali mesmo, no sofá.
No dia seguinte, acordaram abraçados, e o susto foi tão grande que, a princípio, eles só conseguiram ficar olhando um para o outro, assustados.
- Fernando, o que deu na gente ontem? - perguntou Simone, quebrando o Silêncio
- Não tenho a menor ideia... De repente me deu vontade de te beijar, não sei por que, e nós acabamos transando, que loucura! - respondeu Fernando, ainda em choque
- Espera um pouco, você queria isso, não queria? Bem que eu desconfiei quando você me chamou para vir aqui, você não presta!
- Ficou maluca? Eu te chamei como amiga! Você é que veio para cima de mim!
- Não vem por a culpa em mim não, eu só tropecei e caí! Você é que me agarrou e me beijou!
- Mas você bem que correspondeu né? Eu não te forcei a transar comigo, forcei?
- Não, mas eu também não te forcei a nada! 
- Se eu não queria e você também não, porque a gente transou então?
- Eu não sei... Talvez a gente...
Simone ia dizer que havia uma possibilidade de eles estarem gostando um do outro, mas depois parou para pensar e concluiu que aquilo era um absurdo.
- Talvez a gente o que, Simone? - perguntou Fernando
- Acho que a gente deve ter bebido demais. É isso, foi culpa do álcool! - falou ela
- Claro! Tomamos muita cerveja, com certeza foi isso! - concordou ele - Agora vamos para o escritório, já estamos atrasados!
E então eles resolveram continuar sendo amigos e esquecer que dormiram juntos. No entanto, nenhum dos dois conseguia parar de pensar naquela noite e, apesar de não admitirem, não podiam negar que foi bom.
Naquele dia, Regina não foi trabalhar, pois o restaurante estava fechado, devido ao luto de Alex. Vinícius tinha alguns dias de folga para tirar e aquela semana estava mais tranquila no trabalho, então ele resolveu usar um deles e fazer uma surpresa para a amada. Depois de organizar algumas coisas em sua mesa, ele saiu do escritório e foi para a casa de Regina.
- Oi amor, o que você está fazendo aqui a essa hora? Não deveria estar trabalhando? - perguntou ela, surpresa, ao atender a porta
- Resolvi tirar o dia para ficar com você, meu amor - respondeu ele, beijando-a em seguida
- Mas isso não vai te prejudicar no escritório?
- De jeito nenhum, lá todos tem direito a alguns dias de folga, e os meus estavam acumulados, então decidi usar um.
- Nesse caso, eu adorei a surpresa. Mas o que vamos fazer?
- Você teve um dia pesado ontem, acho que está precisando se distrair. Pensei em almoçarmos juntos e depois irmos ver como está a reforma da nossa futura casa, o que acha?
- Acho uma ótima ideia! Vou me arrumar rapidinho e pedir para a minha mãe ficar com a Gabi até voltarmos.
Os dois saíram para almoçar e logo depois seguiram para a casa. Ficaram felizes ao ver que a reforma estava indo bem e começaram a fazer planos para quando se mudassem.
- O quarto da Gabi está ficando lindo, já imagino ela dormindo aqui - falou Regina olhando o cômodo, cujas paredes estavam sendo pintadas de rosa clarinho
- Eu também, e já imagino a gente aqui do lado, no nosso quarto. Não vejo a hora de dormir agarradinho com você todas as noites - disse Vinícius
Em seguida ele puxou Regina pela cintura e começou a beijar seu pescoço, ao que ela correspondeu com um beijo apaixonado.
- Calma Vinícius, a gente nem se casou e casa ainda não está pronta - falou Regina, achando graça da ansiedade do noivo
- Falando assim, parece que você não está muito animada para morar comigo...
- Claro que estou amor, é o que eu mais quero. Mas precisamos ter um pouco de paciência não é?
- Verdade, você tem razão.
Depois disso, eles continuaram olhando a casa, sonhando com seu futuro, vivendo ali como uma família.
Enquanto isso, Paula estava no escritório, revisando alguns processos, quando foi chamada por Teresa. Ela rapidamente saiu de sua sala para ver o que era.
- Doutora Paula, temos um novo cliente e como você está cuidando de poucos casos no momento, achei que era a pessoa mais indicada para atendê-lo - falou Teresa
- Estou às ordens, Teresa - respondeu Paula
- Pois bem, este é o Ricardo, seu cliente. Ricardo, esta é a Doutora Paula, uma de nossas advogadas mais competentes. Vou deixá-los a sós para conversarem.
- Muito prazer, Ricardo - disse Paula, amigavelmente, estendendo a mão
- O prazer é meu, Doutora Paula - falou Ricardo, apertando a mão dela suavemente. No instante em que colocou os olhos em Paula, ele ficou encantado
- O que te traz aqui? - perguntou ela
- Bem, eu e meu irmão perdemos nossa mãe e eu sendo o mais velho, fiquei encarregado de encontrar um bom advogado para nos ajudar com as questões jurídicas.
- Mas vocês não tem um advogado da família?
- Tínhamos, mas ele mudou de país, não pode mais nos atender.
- Entendo. Espera... Seu irmão por acaso se chama Alex?
- Sim, você conhece ele?
- Que coincidência, a minha melhor amiga é a gerente do restaurante dele!
- Ah, então você é a melhor amiga da Regina? Conheci ela ontem no velório.
- Claro, ela estava lá. Sinto muito pela perda.
- Obrigado...
- Vamos para a minha sala, assim ficaremos mais à vontade para falar.
Paula e Ricardo tiveram muita afinidade logo de cara, e à medida que conversavam, ele ficava cada vez mais atraído por ela. Após algum tempo, Paula pediu que ele fosse embora, pois tinha muito trabalho a fazer.
- Ricardo, vamos ter que encerrar nossa conversa por aqui, tenho um caso meio complicado para estudar. Mas se me disser qual o melhor horário para você, podemos marcar outra reunião  - disse ela
- Claro, eu entendo. Mas quero te fazer um convite - falou ele
- Convite?
- Sim, eu queria tomar um café com você hoje, no fim do seu expediente. Gostaria de te conhecer melhor.
- Ricardo, não acho que isso seja uma boa ideia...
- Fica tranquila, é um convite de amigo, uma forma de agradecer a atenção que você me deu hoje. Vou ficar chateado se você recusar.
- Tudo bem, eu aceito. Mas não posso demorar.
- Ótimo, nos vemos mais tarde.
Paula não se sentiu confortável aceitando o convite de Ricardo, pois tinha medo dele confundir as coisas, já que ele não havia lhe dado a chance de dizer que tinha um namorado. Mas ficou com medo de perder o cliente e acabar se prejudicando no escritório, então, assim que saiu do trabalho, foi até o café onde haviam marcado.
A conversa foi muito agradável e Ricardo era muito gentil, mas após algum tempo, Paula percebeu que já estava na hora de ir embora, pois Bento havia dito que iria até sua casa à noite.
- Ricardo, está tudo ótimo, mas eu preciso ir agora.
- Tudo bem, então eu te levo em casa.
- É melhor não, pode deixar que eu vou de ônibus...
- Imagina, vai ser um prazer!
- Ricardo, realmente é melhor eu ir de ônibus, porque...
- Faço questão, Paula!
- Está certo, vamos então.
Ela acabou aceitando a carona, pois percebeu que ele não iria desistir, mas estava com medo da reação de Bento, caso visse os dois, e um pouco irritada com fato de Ricardo não deixar ela terminar de falar. Quando chegaram, ele insistiu em acompanhá-la até a porta de casa.
- Obrigada, Ricardo, você foi muito gentil.
- Eu só estava retribuindo a sua gentileza comigo, no escritório.
- Imagina, é o meu trabalho.
- Sim, mas você faz ele muito bem, me deixou encantado. E ainda por cima é muito bonita. Sabe Paula, eu gostaria de poder ser mais do que seu cliente...
Dizendo isso, Ricardo se inclinou na direção de Paula, com a intenção de beijá-la. Ela então decidiu dar um basta naquela situação.
- Ricardo, para - falou ela, afastando-o
Porém, antes que ela pudesse dizer mais alguma coisa, Bento, que havia presenciado a cena, se aproximou dos dois, querendo tirar satisfações.
- Paula, você pode me explicar o que está acontecendo aqui? - perguntou ele, se exaltando
Será que Paula vai conseguir desfazer esse mal entendido, ou a atitude de Ricardo prejudicará seu namoro com Bento?

Continua...

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