domingo, 14 de fevereiro de 2016

Capítulo 76 - O tempo passa, e o sentimento não muda

Após algum tempo conversando, Regina e Vinícius perceberam que faltavam apenas 15 minutos para o filme começar, então decidiram que já era hora de entrar. Mas antes, pararam para comprar pipoca.
- Quer dividir? - perguntou ele, quando estavam na fila
- Vinícius, nós não somos mais um casal - respondeu ela
- Amigos também podem dividir a pipoca.
- Mas não precisam.
- É muito grande, eu não consigo comer uma inteira sozinho.
- Tudo bem, já que você insiste...
Após pedirem tudo o que queriam, os dois foram para a sala e sentaram-se em seus lugares. Durante os trailers, enquanto comiam a pipoca, suas mão se tocaram, eles se olharam e começou a rolar um clima, mas Regina logo voltou a olhar para a tela, querendo evitar que acontecesse algo mais. O filme começou tranquilo, mas foi ficando bem assustador. Em um determinado momento, Regina levou um susto, e por reflexo, agarrou a mão de Vinícius, que estava apoiada no braço da cadeira. Ele não disse nada, apenas chegou mais perto e colocou o braço em volta dela, que acabou aceitando, pois estava assustada. Quando acabou a sessão, ela não queria falar sobre o abraço, mas foi inevitável.
- Gostou do filme? - perguntou Vinícius, enquanto eles saíam do cinema
- Pensei que eu ia odiar, mas acabei gostando - respondeu Regina
- Mas o que foi aquele susto que você levou?
- Vinícius, eu não sei o que me deu aquela hora, aquilo não devia ter acontecido...
- Tudo bem Regina, não foi nada demais. Você se assustou e eu te confortei, como amigo - disse Vinícius, mas ele sabia que tinha sido mais do que isso
- Bem, preciso ir para casa agora.
- Vem comigo, te deixo lá.
- Pode deixar, eu vou de ônibus ou pego um táxi.
- Já está um pouco tarde, faço questão de te levar.
- Não precisa, sério... Ai... - de repente, Regina se desequilibrou um pouco e se apoiou no ombro de Vinícius
- O que foi? - quis saber ele
- Não sei, senti uma tontura de repente. Acho que é fome, estou há muito tempo sem comer e pipoca não sustenta a gente.
- Meu apartamento é mais perto daqui. Vamos para lá, a gente faz um lanche e depois eu te levo em casa.
- Acho que vou aceitar. Não quero chegar em casa passando mal, porque minha mãe já vai estar dormindo.
- Vamos então, meu carro está logo ali.
Depois disso, eles seguiram para o apartamento de Vinícius. Assim que chegaram, ele fez um sanduíche para cada um e os dois sentaram-se no sofá para comer.
- Muito obrigada, Vinícius - falou Regina, depois que eles terminaram
- Que isso, foi só um sanduíche - respondeu ele
- Não é só pelo sanduíche. É... por você ter me tratado tão bem essa noite, apesar de tudo que aconteceu entre a gente. Fico feliz por ainda sermos amigos.
- Você sabe que eu não faço isso só pela sua amizade, não sabe? - disse ele, chegando bem perto dela
- Vinícius, não...
- Por que não, Regina? Nós dois sabemos o que sentimos um pelo outro, para que fugir disso?
Antes que ela pudesse responder, ele a puxou pela cintura e lhe deu um beijo intenso e quente. Regina não conseguiu resistir e puxou os cabelos de Vinícius, colando seu corpo ao dele. O clima começou a esquentar, ele deitou por cima dela no sofá e tentou tirar sua blusa, mas de repente ela voltou a si.
- Para, por favor... - pediu ela, se afastando
- Você queria isso também, eu que sim  - falou ele
- Não, eu não queria! Você é que se recusa a entender que o nosso relacionamento acabou! Eu tenho que ir embora agora.
- Deixa eu só pegar a chave do carro, prometi que ia te levar.
- Só vou aceitar porque está muito tarde.
Vinícius levou Regina em casa e quando chegaram, ele a beijou de novo, suavemente. Ela se despediu e saiu do carro como se nada tivesse acontecido, mas seu coração estava acelerado. Os dois passaram quase a noite toda em claro, pois não conseguiam parar de pensar um no outro.
Os dias voaram e dois meses se passaram desde a confusão no restaurante de Alex. Era segunda-feira, véspera da inspeção que definiria o destino do estabelecimento, e ele estava certo de que tudo correria bem. Regina já estava ansiosa para voltar a trabalhar e passou a tarde o ajudando a organizar tudo. Quando terminaram, já estava quase de noite.
- Regina, você já ajudou bastante, pode ir para casa agora - disse Alex, ao perceber que estava começando a escurecer
- Tem certeza? Eu não me importo de ficar mais um pouco - respondeu ela
- Não precisa, eu só tenho que trancar todas as portas e ajeitar umas coisas na minha sala, vai ser rápido. Além disso o Ricardo ficou de passar aqui, daqui a pouco ele chega.
- Tudo bem então, até amanhã.
Regina saiu do restaurante, pegou um táxi e foi para casa. Poucos minutos depois que ela chegou, Vinícius apareceu para visitar Gabi, como de costume.
- Oi Vinícius, tudo bem? - disse ela ao abrir a porta
- Boa noite, Regina. Tudo bem sim, e com você? Parece cansada.
- Eu estou mesmo, cheguei agora do restaurante, estava ajudando o Alex a arrumar tudo. A nova inspeção é amanhã.
- Ah, entendi... - falou Vinícius, tentando disfarçar o ciúme que sentiu ao saber que Regina esteve sozinha com Alex no restaurante
- Não sei se eu devia ter te falado isso...
- Quantas vezes eu vou ter que dizer que não tive nada a ver com aqueles ratos e baratas?
- É melhor a gente não falar sobre isso... Pode ir ver a Gabi, ela está acordada.
Vinícius foi até o quarto, brincou um pouco com a filha e depois a colocou de volta no berço, pois viu que ela estava ficando com sono. Em seguida voltou para sala, onde Regina estava.
- Regina, eu queria te agradecer. Mesmo a gente tendo se separado, você não quis me afastar da Gabi - falou ele
- Você é o pai, tem o direito de conviver com ela.
- O melhor de tudo é que além de poder ver minha filha, eu também vejo você... - dizendo isso, ele se aproximou dela, olhando fixamente para sua boca
- É... é melhor você ir Vinícius - disse Regina, querendo cortar o clima - Preciso dormir, vou acordar muito cedo amanhã.
- Claro... Boa sorte, tomara que dê tudo certo na inspeção.
Vinícius saiu pela porta, e Regina ficou pensativa. Se ele realmente tivesse armado para fecharem o restaurante, porque desejaria boa sorte na nova inspeção? Porém decidiu esquecer isso e foi deitar, pois tinha que estar descansada de manhã.
No dia seguinte, quando Regina chegou ao restaurante, os funcionários estavam muito ansiosos, principalmente Alex. O fiscal logo chegou e começou a vistoria. Depois de analisar cuidadosamente cada canto do local, finalmente declarou que estava tudo em ordem e poderiam reabrir, para alívio geral. Depois que ele saiu, Alex pediu a atenção de todos, pois queria fazer um comunicado.
- Quero informar que reabriremos o restaurante na sexta-feira, farei uma festa de reinauguração, com música ao vivo! - disse ele
O pessoal ficou animado com a festa, e também para voltar a trabalhar. Depois do anúncio, Alex foi falar com Regina.
- Obrigado pela ajuda ontem, foi muito importante - falou ele
- Não precisa agradecer. Estou muito feliz por ter dado tudo certo.
- Eu também, você nem imagina o quanto. Quero que essa festa seja um sucesso!
- Se precisar de ajuda com os preparativos, pode me chamar.
- Eu agradeço. Será que eu posso te fazer um pedido?
- Pedido?
- Não convida o Vinícius, por favor. Não quero ele aqui depois daquela armação.
- Você é meu chefe Alex, se está pedindo, eu não convido - disse Regina, mas no fundo, não ficou feliz com isso
A semana passou bem rápido e logo já era o dia da festa. Quando anoiteceu, Regina, Alex, Ricardo e os demais funcionários já estavam no restaurante esperando para receber os convidados. Em pouco tempo lugar já estava cheio e em breve a banda começaria a tocar. Paula foi uma das primeiras a chegar, ela havia sido convidada por Regina e por Ricardo, que não gostou muito quando a viu acompanhada por Bento. Logo depois chegou Olívia, que foi a convite de Alex, e para a surpresa de todos, Vinícius estava com ela.
- Alex, você não disse que não ia convidar ele? - perguntou Regina ao chefe, confusa
- Eu disse a ela que podia trazer um acompanhante, e ela trouxe ele... - respondeu Alex
Quando Vinícius e Olívia se aproximaram para cumprimentar Regina e Alex, o clima foi de tensão entre os quatro. Regina e Vinícius quase não conseguiam disfarçar o ciúme que estavam sentindo um do outro. Enquanto isso, Ricardo também estava tentando esconder que não queria que Bento estivesse ali. Será que todos vão conseguir curtir a noite, ou o clima pesado vai tomar conta da festa?

Continua...

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